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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Em tempos de liberdade sexual, por que a virgindade ainda é tão mitificada?

Ela tem 20 anos. Ele, 23. Ambos decidiram leiloar sua virgindade no site australiano Virgins Wanted. A catarinense Ingrid Migliorini –que usa o pseudônimo Catarina– e o russo Alexander Stepanov são os personagens de um documentário que acompanha o antes e o depois da primeira relação sexual dos jovens. A maioria dos interessados no leilão é daqui: os brasileiros somam seis dos sete que deram lances para ter Stepanov  e oito dos 13 que querem comprar a virgindade de Ingrid.
A diferença entre o quanto vale a virgindade de cada um é enorme: a maior proposta para a brasileira foi feita por um americano que ofereceu 255 mil dólares, e Stepanov ainda não recebeu um valor superior a 1.300 dólares. Há a possibilidade de muitos lances terem sido dados como uma brincadeira –e, se aqueles que fizerem os maiores lances desistirem, os jovens terão que fazer sexo por até um dólar. Para a antropóloga Mirian Goldenberg, autora de livros como "Tudo o Que Você Não Queria Saber sobre Sexo" (Ed. Record) e "Toda Mulher é Meio Leila Diniz" (Ed. BestBolso), essa diferença existe porque, do ponto de vista dos interessados, "ele não tem nada a perder, física e simbolicamente. Já ela 'perderia seu valor' ao deixar de ser virgem", diz.
Por que tanto interesse?
Para Mirian, tanto os dois jovens quanto aqueles que tentam comprar a virgindade deles têm um objetivo principal: projeção. Segundo ela, a catarinense diz que vai doar o dinheiro –o que foi contestado pelo organizador do leilão– como uma forma de justificar e amenizar sua tão criticada decisão. "É uma necessidade de provar que não se trata de autopromoção, que ela não quer ganhar dinheiro", diz. Já os homens que fazem os lances, segundo ela, almejam a projeção de comprar o valor de uma mulher, de mostrar que têm dinheiro e poder.